XXX As cartas viajam por entre as mãos da censura sabes?, sinto-as amarrotadas em cada leitura e tu longe, escrevo ainda neste deserto umas linhas que a cabeça dispara para que me sintas na nossa casa, um beijo que nunca dei à nossa Santa Paola crescidinha já, imagino. Há quanto tempo não me envias fotos.Continuar lendo “Sobre as águas da vida o silêncio dói Cap. XXX”
Arquivos da categoria: Romance
Sobre as águas da vida o silêncio dói Cap. XXIX
XXIX Ingere-se cada instante numa súmula constante de instantes, um abraço vagaroso entre sorrisos e lágrimas, sim, afinal a amizade faz chorar quando a sensação reina, nem que seja esse o único instante, mesmo que depois se dilua nos momentos que se seguirão voando mesmo sem asas ao encontro do infinito. Imaginámo-las eternas mas nemContinuar lendo “Sobre as águas da vida o silêncio dói Cap. XXIX”
Sobre as águas da vida o silêncio dói Cap. XXVIII
XXVIII Sinto-me cansado e farto amor, conto a cada dia num calendário improvisado riscando cada dia superado o fim desta incoerência que jamais entenderei, aqui ninguém entende nada, qual o motivo para este sacrifício matar irmãos que nos querem abraçar, sinto apenas que da parte desta gente que às vezes consigo ver o mesmo motivoContinuar lendo “Sobre as águas da vida o silêncio dói Cap. XXVIII”
Sobre as águas da vida o silêncio dói Cap. XXVII
XXVII Em cada esquina desta distância ruídos desparecidos por instantes, uma brisa cansada sobre a caserna perdida neste horizonte de gemidos onde soldados escoltados regressam sem rumo e ao mesmo me recordo de tudo o que havia deixado para trás, – Deolinda, ainda calada? Santa Paola talvez enorme e sem os meus braços, Lisboa asizadaContinuar lendo “Sobre as águas da vida o silêncio dói Cap. XXVII”
Sobre as águas da vida o silêncio dói, cap. XXVI
XXVI Às vezes, esta voz canta para si mesma os rugidos da tarde. Uma vontade ilimitada espraiada nos horizontes alojados entre quimeras disfarçadas de açudes, um longo corredor onde os sons parecem ventos levados pela ausência de que luz a encanta-los, sim, talvez a metamorfose de cada dia ali passado sentado na berma de queContinuar lendo “Sobre as águas da vida o silêncio dói, cap. XXVI”
Sobre as águas da vida o silêncio dói, cap. XXV
XXV Com mil tempos de tédio na tenda de campanha ou na batalha, vai o soldado. Mil tempos a caminhar descansado neste campo verde e seco onde rios e nada de mar, mil tempos a sorrir desgostos e sem apóstrofos delegar a minha vida à saudade, mil tempos a definhar silêncios neste barulho infernal deContinuar lendo “Sobre as águas da vida o silêncio dói, cap. XXV”
Sobre as águas da vida o silêncio dói, cap. XXIV
XXIV Os anos viajam e connosco sombras e desejos, há tanta felicidade e enquanto presentes comemos as relíquias da vida, pois, sabemos nós, todos nós, que a vida é um ciclo tantas vezes curto ou longo, nem sempre é mais curto, depende muito da intensidade a que nos entregamos à vida, ao ciclo e percursoContinuar lendo “Sobre as águas da vida o silêncio dói, cap. XXIV”
Sobre as águas da vida o silêncio dói, cap. XXIII
XXIII Tivemos um primeiro dia, viemos no primeiro dia, resta-nos agora e ao fim de uns bons anos saber do regresso, coisa que me parece estar longe ainda, não recebo informações nem sei às quantas ando!, mas no meu calendário de bolso risco cada dia passado, cada dia vencido numa luta desenfreada e lisboa espera-me,Continuar lendo “Sobre as águas da vida o silêncio dói, cap. XXIII”
Sobre as águas da vida o silêncio dói, cap. XXII
XXII E a vida é um jogo, jogo onde tiver que dormir, a vida joga a minha melancolia, a minha ausência em pertencê-la, a minha inocência em ser sua, a tabuada da minha casa, a fome no quintal onde plasmava saudades, sinto sono, sim, sono por partir um dia e deixar o que for deContinuar lendo “Sobre as águas da vida o silêncio dói, cap. XXII”
Sobre as águas da vida o silêncio dói, cap. XXI
XXI Os homens não se contam nem encantam. Dizem-se. Imagino uma selva ou uma serra, um deserto ou um castelo onde um dia Kafka invadira fingindo-se o agrimensor prometido, ou nas cartas de checoslováquia para uma alemanha vencida pela dor e dureza dos homens sãos e bons que matavam, a razão ali era o fioContinuar lendo “Sobre as águas da vida o silêncio dói, cap. XXI”