Não sei que bandeira ostentar. Se a minha ou a que me impuserem os andros, os tais que descrevo quando me perdia nas alamedas de lisboa e apenas me encontrava pelos lados do sul, já depois dos rios que eram apenas o único, o que descrevo e repito como sendo de águas fluentes do orienteContinuar lendo “Lambem-me estes cardápios dos tudos”
Arquivos da categoria: CRÓNICAS
A invenção da liberdade é uma parede
Talvez dentro de qualquer coisa, essa coisa verossímil a que chamaríamos de espasmo num ventilado canto de paredes escuras e sem cor nenhuma. O belo som de pássaros no campo são viagens aparecidas, ruas encantadas de luz num cenário colorido e a gente consegue sentir o quão feliz é ser vento e deambular e enganarContinuar lendo “A invenção da liberdade é uma parede”
Que raio de barcos blasmos!
Calada só a noite. Às vezes. Ficam restos do espanto de desencanto da tarde e esses afugentam nuvens e vozes fazendo com que a gente se cale. Pergunto-me em ti: “falar de quê?” o sorvete da água parece sei lá. Uma espuma encardida no riacho lá do bairro, sei lá se verdade, coisa da minhaContinuar lendo “Que raio de barcos blasmos!”
Carta a um garimpeiro de sonhos
(a ti meu amigo Jaques) Sabes, tudo é volátil, acredita, até mesmo a tua ânsia de usurpo, esse clã dom de que te auto-apregoas magoa, mas a tua sensibilidade corrompida pela vaidade emagrece em cada esquina da caminhada. Acredito que possas ter percurso, quem sou eu para o definhar às tuas passadas de anjo soberboContinuar lendo “Carta a um garimpeiro de sonhos”
Quantos vinténs de nada?
Enche-me de tédio a algibeira do sonho. Acordo e desacordo sem o sacerdote, é chagada a hora do beijo sórdido no pranto dos cantos. Tantas vezes querendo pensar descubro-me na solidão de todos os resquícios que a viagem dos climas me caria transformando-me num campestre de cidades inculcadas nas veias vorazes com a cor ardenteContinuar lendo “Quantos vinténs de nada?”
Vamos falar de literatura
Um dia um berço, um barco, um vazio na plenitude das mais viráveis esquizóides das planícies do fantástico, sim, esse coisa nenhuma que a vista despreza, esse longe que a alma alcança quase nunca, essa invisibilidade rasurada nas folhas merdosas da livraria mais barata da esquina da casa onde vivo, vivia, passo por lá vezesContinuar lendo “Vamos falar de literatura”
Irrita-me tanto não conseguir falar com ninguém
Ecos e remorsos a cabeça estiola. Vómitos vespertinos como sombras de sapos que se vadiam enquanto nada mais ali se passa, nada mais se pode passar, verdade, porque nos engole o momento, imbuirmo-nos nos costumes e verdades sem cor, se é que há cor na verdade, mas talvez haja mesmo, há palavras que afundam emContinuar lendo “Irrita-me tanto não conseguir falar com ninguém”
O charco cheio da secura amarela
Ainda o rugir da madrugada e já frio. Tudo se espanta contra que tédio de voluntários do Arizona nesta olimpíada onde só riscos nos arrastam sem arrastar, levando-nos nos braços da glória. E que braços tem a glória? Em nome de nada é este o caminho, o risco que se pisa é apenas um momentoContinuar lendo “O charco cheio da secura amarela”
A linearidade obtusa da razão
As esquinas do tempo são templários do silêncio, vírgulas entre números enumeram a vontade e a gente ali, seguindo o obtuso dos dias vergados no mármore da existência. “tudo o que existe são linearidades.” Riscos se assim quiserem pensar ou doutos de todos os holocaustos que a memória nos traz ainda, o verde e oContinuar lendo “A linearidade obtusa da razão”
Hora de tudo para tantos: somos poucos ainda assim!
Calçadas e vielas, um deserto de ensurdecer. Um céu azul enfeitado de nóbregas cálidas para me acompanharem os delírios, sinto um frio sem explicação, arrepios cansados rangem-me a pele nesta cabeça que voa a cada instante como se de ave se tratasse. Sabes Cilofanes, estou efectivamente cansado, de tudo e de nada, este repleto gestoContinuar lendo “Hora de tudo para tantos: somos poucos ainda assim!”