Já nem sapiências coloridas e escritas em cardápios dos sábios idos, aqueles, que sabemos, apenas lamuriam o sonho do desejo e desconhecem a saúde do saber. Não serei nunca resma de nada. Se incomodar digam, irei até às metamorfoses dispersar a minha insânia calma. Preciso de mim para estar com todos, pois, sem isso, queContinuar lendo “Adeus céu azul”
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E via navios. Mas onde os navios?
Nasci num recôndito silêncio bem longe do mar. havia frio e catadupas de estirpes como osgas e as paredes eram um quarto para mil, parafusos e esqueletos de tempo ainda lá dentro como se a vida fosse um eterno recomeço. Anos decorriam, entretanto, vozes deambulavam corredores imensos, uma festança extrema pois, havia nascido o sacerdoteContinuar lendo “E via navios. Mas onde os navios?”
Antes de nascer
Antes de nascer tinha feito um pedido profundo e sentido não sei bem a quem, mas falei sozinho, alto, talvez alguém me ouvisse. Queria ter mãe. Tinha ouvido de tantos lados coisas horríveis de filhos sem mãe e mulheres que apenas produziam filhos e pronto, mas, como não sabia ler, ficava-me pelo que ouvia eContinuar lendo “Antes de nascer”
Como que se me apetecesse inventar
Fui cásparo, indígena. Fui fim do mundo e mais, rato nas formigueiras a beber o salitre seco dos silêncios, dormi no chão dos infinitos e de tantos outros nadas, tantos foram as enzimas sobre a cabeça e o resto de mortais que não cabiam para mim. Fui catarato num beco ao fim da esquina ondeContinuar lendo “Como que se me apetecesse inventar”
Viver no tempo errado
Um zunido de nada, essa onomatopeia num canto qualquer e contigo sou cerro. Imito-me talvez ao sonhar-te, este errante dispersar de cânticos, diziam os passarinhos da jaula mais longínqua do sol. (imito a tua sana sanção acredita. De que me serve?) Sento-me nesta sala dos comuns e observo as dicotomias do destino num descorrente deixaContinuar lendo “Viver no tempo errado”
A estipóide amarelada dos laranjais
Sonhei-me por existir. A blusa incolor que me reveste por dentro é como canaviais que se atropelam por tostões neste torrão de ventos para edifícios e castelos e glórias, não, sonhei-me por existir. Apetece-me o cheiro das tardes. O silêncio dos sonhos nesta poltrona vazia. Apetece-me perder todos os sangues do corpo e vomitar asContinuar lendo “A estipóide amarelada dos laranjais”
És meu amor, não és minha mãe
Enrolar-me quase caladinho no teu corpo como se as sombras fossem naves no deserto dos meus sonhos. Ouvir o gesto dos beijos como plantas devagar, quando me enrolo nos teus lençóis de vidro na minha cama quentinha e amar “o bom do amar” aquele colo antigo onde gaivotas sobrevoavam embelezando sei lá, uma fantasia qualquerContinuar lendo “És meu amor, não és minha mãe”
O texto aparece na paisagem inventada
Madrugada ainda cheira a vento. Ao fundo, sinistros passos de letras que deambulam silêncios para se calarem as estrelas. Talvez algum mar por ali, sente-se na pele a bruma que normalmente só o mar sabe colocar sobre as feridas do tempo. Cabe-nos absorver o impossível, esse cataclismo de sinos por alguma torre mas como?, éContinuar lendo “O texto aparece na paisagem inventada”
As sombras repousam na falésia
Com elas ou nelas todo o tempo perdido. Nunca se perde tempo com nada, a escola é passado e ainda assim o mais presente para tudo. É sim, vida. Um dia num mar qualquer por inventar como estrofes de Camões por ler, é sentir a lágrima do tempo neste escorreito divagar de estepes onde verdadesContinuar lendo “As sombras repousam na falésia”
Não vale a pena ser silêncio
Este caudal nascente de fontes imaginárias trazem consigo o vento dos templários, daqueles que viajam como nuvens, sim, ignoremos o nada, são apenas silêncios. Assim como berros nas vozes que recrio em páginas para me florescerem a fantasia são energúmenos vestidos com saias de meninas de capela onde só capelões as conseguem entendem, rezam baixinhoContinuar lendo “Não vale a pena ser silêncio”