À cabeceira a jarra vazia cheirava a amorfo como os garfos do jantar deitado, a meu lado sozinho o tempo em mim coisa horrível, de roda aos sete ventos perdido busco-me o cheiro dos garfos que nervos ra por mim meu amorraiva coisa nenhuma o sabor enjaulado que garganta este refresco sadio diziam longe naContinuar lendo “A cascata do absinto sinto sono”
Arquivos da categoria: CRÓNICAS
Escrever
Ao lado obuses. E longe estrondos. Talvez me calce de roupas nuas como a lágrima dos meus últimos sonhos. Que horas serão? Sinto apenas na pele esta comichão, um glutão a esfregar-se-me por dentro vaidades de farda enrugada e de sono nada, dizem-me que tiros ali e a cabeça para dentro esfrega escorreitos dizeres numaContinuar lendo “Escrever”
O cheiro de uma vida
A espuma esvoaça a tarde quente desta cidade adormecida no trânsito. Sinto o odor efémero das quimeras vendidas ao avulso pelos cantos perdidos do tempo, da noite que se espera descansada e nada, é tão cedo ainda que desespero pelo som dos abutres subindo penhascos verdes onde tudo está seco. O cheiro explana a vigíliaContinuar lendo “O cheiro de uma vida”
Que adianta cansar-me?
Viajo este interior aberto onde passos se ouvem num corredor chamado vida, uma rotina sensível que abranda as esquinas e nos ensina a aprender com tardes infinitas, um belo cenário num descampado a sul e as águias dispersas numa nuvem de sonho. Repito-me incansável manhãs sem fim, o horizonte em que canto da sala nesteContinuar lendo “Que adianta cansar-me?”
Observatório do tempo
Uma manhã que se veste de silêncio onde caminhos se abrem, sorri devagar a vanguarda olhando de soslaio o caminhar desejoso de caminhantes em busca de vida e tempo. Todas as manhãs são rompidas do afago doce de uma noite bem-vinda, ida dos solavancos trémulos e sinuosos de um dia corrido entre afazeres e deveres,Continuar lendo “Observatório do tempo”
Obrigado Pai
Que cada silêncio abandone a ira e siga rumo, cada descoberta nas recordações esplêndidas nestas misturas da existência para criarmos caminho mesmo que só dentro da cabeça. Cada jura ornamentada caminhe para orlas de rosas içadas nos quintais do tempo em rodopios que deslumbrem quem quer que seja, ainda que só isso nos faça pensarContinuar lendo “Obrigado Pai”
O amor esvoaça tresmalhado de belo
Seria um sorriso aquele abraço matinal. Esvoaça a alegria neste pasto de tantos a festejarem a existência, encontro de cânticos apenas entre nós, que somos todos. O amor é uma ideia ampliada de esforços e vontades, gestos nobres espelhados na alma superam assim o cansaço ao fim do dia e vamos, que destino?, pensar numContinuar lendo “O amor esvoaça tresmalhado de belo”
Apenas a lua quando acorda
Sinto-me a perpétua ir das suas lágrimas neste esplendor de sons tão peçonhosos, estes rios que secam na aurora no definhar das ideias. Um passarinho obtuso no chão sujo de quimeras e palavras amargas, um defunto que caminha sem saudades da vida. Os passos que ouço são o abismo que se aproxima, a espuma queContinuar lendo “Apenas a lua quando acorda”
As cores da rutura
Um pacto entre mim e o silêncio. Calei-me de vez. Brincarei apenas nestas ravinas de saudade e medo, nestes eucaliptos da verdade num cheiro de alecrim se der e pronto, tudo luzirá como o escuro. Neste bar obuses como abutres. Que raio este ruído que escorre paredes abaixo como pinceladas de nervos. Ouvem-se tiros deContinuar lendo “As cores da rutura”
Bebi da sua arte
Deitei-me ontem aqui à beira de um rio baldio sonhando já. Desvendei nele a coragem de viagens infinitas, o percurso sinuoso das suas artes embrenhadas de alma e sangue frio. Devo ter sonhado o rio a distanciar-se, a perder-se nas maravilhas que a natureza oferece e eu encostado a uma pedra de verdades. Não bebiContinuar lendo “Bebi da sua arte”