A norte, imbondeiros enfeitados como divas num disfarce para estrofes quem escreverá um dia este encanto sem formas, se desenhos nas paredes da Prússia ou na álgebra dos meus mais antigos ditongos a quem chamavam de fundos para secar à tardinha. Os lutos vergam a sombra, o ritual desfila enfadonho onde só lágrimas sorvidas apenasContinuar lendo “Obituário de sons e casas secas”
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O espelho que nos emagrece
E como não poderia deixar de ser a permanente presença do espelho Tempos em que ouvia Chopin e soletrava Mozart, lia nos recônditos mais salubres do sal sóbrio das paredes que me refugiavam, nos tempos em que a cor da areia se sobrepunha ao morrer enquanto me perdia ouvindo de todos os lados o reflexoContinuar lendo “O espelho que nos emagrece”
Casar com flores
Dormira tempos infinitos naquele esplendor especado à porta, a casa era uma moradia sem varandas e nem sequer escadas existiam. Ouviam-se passos a qualquer hora, quer fosse noite ou dia, e de que sorrisos se plantavam esquilos como os que havia visto em criança ainda numa televisão qualquer, um retrato decorado nas paredes do meuContinuar lendo “Casar com flores”
Não nasci para ninguém
Sabes mãe, não havia nunca ter nascido. Sim, e como as memórias viajam de trás para a frente e frente para trás. Lembro-me ainda daquele túmulo cinzento, até da cor me lembro, com a minha fotografia à cabeceira. Risos sei lá entre as lágrimas dos deuses que fugiam das nuvens que o momento inventava, sorriaContinuar lendo “Não nasci para ninguém”
Amo-te Maria Madalena
Nas trincheiras vazias do céu, do longe, nas calmas sinuosas deste frio arrebatado onde tu, comigo, me abraças num fresco apertado. Havia céu, havia voz, havia calor. Crescidas as barbas de Jesus. – Talvez me aqueçam, queiras como eu. Ah, que sonhas?, dormes tantas vezes neste deserto do meu colo, num deserto qualquer. – Sinto,Continuar lendo “Amo-te Maria Madalena”
EMMA a menina que era triste
A todas as “EMMAS” de Angola e do mundo. Nem sempre os sonhos se perdem. Nem sempre nos tornamos vencedores na vida. O percurso nem sempre é inventado. Sabes madrinha, sonhava ser médica, quem sabe outra coisa, tinha pena das pessoas pequenas como eu e sem mãe, mas eu tinha uma madrinha que tudo meContinuar lendo “EMMA a menina que era triste”