Escreveriam as minhas saudades por não encontrar ali também como o rio gelado ao fundo da fileira de cadeiras vazias deste bar fantasma (…)
Sobre aquelas espumas frias que se soltam do silêncio, que descem sem rumo contra a minha pele engasgada pasmo e nada, um frio azul mais parecia um cometa inventado para te oferecer um natal qualquer em nossa casa ao entardecer, se pudesse, sacaria de todas as garrafas vazias um candeeiro que me iluminasse o teu caminhar quando sozinho te imagino vértebra de cascatas numa praia que nem sequer existe neste recanto frio de Paris, de ruas egocêntricas e sem rimas ouço serenatas de bares à porta como quem convida alguém a entrar e sentar-se e beber ou comer ficar ali, talvez num recanto de encontros com tudo e nada ao mesmo tempo para sentir apenas a linha por preencher, sem o teu nome ali ou lá comigo, sim, escreveria sobre ti tudo o que comigo lá se passasse, descreveria palavra a palavra todas as emoções que conseguisse viver e sentir, naquele frio dos longes, lugar onde nunca estive, onde nada sei a não o que leio e releio apenas para que possa em algo descrever-te tão minuciosamente como o és efectivamente, escrever de cor o teu retrato numa página de contos contados ao sabor do tempo que entretanto decorre e passa e vai, ali fico, como se ali estivesse desde sempre e sem ti, olhando para todos os lados daquela sala decorada com brilhos e fantasias e nada de florestas apenas a neve fria à janela pendurando-se como que querendo dizer-me o que quer que seja, e pensava mesmo poder ouvi-la para depois descrever-te em resmas mesmo que vazias para que tas pudesse oferecer pelo natal em Lisboa muito tempo depois.
Crostas minhas de tanta ausência sem sequer te ter deixado um segundo que fosse sozinha, é sempre onde me sinto estar acredita, a desventrar-te linda como um soneto que li sei lá quando, mas ficou em mim ainda e só sei disso, lembrar-me dele já é saber de ti porque foi com ele que te encontrei sem espasmos mais vaidosa a correr até mim, colorida de calores doces numa ilha inventada enquanto sonhava e eras tu, mesmo acordado, o sabor daquelas águas na areia passeiam como languidos desejos de formigas em fila para a vida, rumo ao que se pretende encostado a ti nesta esplanada ensombrada pelas folhas secas do fundo de Luanda e sentados só os olhares falavam.
Se pudesse escreveria sobre ti em Paris e nada conseguiria dizer sei. Escreveriam as minhas saudades por não encontrar ali também como o rio gelado ao fundo da fileira de cadeiras vazias deste bar fantasma é como parece, não há mais nada a não ser eu e o meu pensamento de brunhos que se esfregam lindos nas fantasias do vento que me encanta e de ti só isso, lembrar-me que poderias ser tu mas não, são os meus delírios de luzes por ti sem que saiba sequer se me queres mas que importa, basta em mim sentir que te quero e pronto. O resto serão coisas para os poetas!
A Crônica é um tipo de texto narrativo curto, geralmente produzido para meios de comunicação, por exemplo, jornais, revistas, etc.
Além de ser um texto curto, possui uma “vida curta”, ou seja, as crônicas tratam de acontecimentos corriqueiros do cotidiano.
Portanto, elas estão extremamente conectadas ao contexto em que são produzidas, por isso, com o passar do tempo ela perde sua “validade”, ou seja, fica fora do contexto.
No Brasil, a crônica tornou-se um estilo textual bem difundido desde a publicação dos “Folhetins” em meados do século XIX.
Alguns escritores brasileiros que se destacaram como cronistas foram:
Segundo o professor e crítico literário Antônio Cândido, em seu artigo “A vida ao rés-do-chão” (1980):
“A crônica não é um “gênero maior”. Não se imagina uma literatura feita de grandes cronistas, que lhe dessem o brilho universal dos grandes romancistas, dramaturgos e poetas. Nem se pensaria em atribuir o Prêmio Nobel a um cronista, por melhor que fosse. Portanto, parece mesmo que a crônica é um gênero menor. “Graças a Deus”, seria o caso de dizer, porque sendo assim ela fica mais perto de nós. E para muitos pode servir de caminho não apenas para a vida, que ela serve de perto, mas para a literatura (…).
(…) Ora, a crônica está sempre ajudando a estabelecer ou restabelecer a dimensão das coisas e das pessoas. Em lugar de oferecer um cenário excelso, numa revoada de adjetivos e períodos candentes, pega o miúdo e mostra nele uma grandeza, uma beleza ou uma singularidade insuspeitadas. Ela é amiga da verdade e da poesia nas suas formas mais diretas e também nas suas formas mais fantásticas, sobretudo porque quase sempre utiliza o humor. Isto acontece porque não tem pretensões a durar, uma vez que é filha do jornal e da era da máquina, onde tudo acaba tão depressa. Ela não foi feita originalmente para o livro, mas para essa publicação efêmera que se compra num dia e no dia seguinte é usada para embrulhar um par de sapatos ou forrar o chão da cozinha.”
Nesse trecho tão esclarecedor podemos destacar características fundamentais sobre a crônica, por exemplo, a aproximação com o público, na medida em que contém uma linguagem mais direta e despretensiosa.
Ao mesmo tempo que é marcada notadamente pelo tempo, ou seja, pela curta duração que possui esse tipo de texto.
A crônica foi inicialmente desenvolvida com caráter histórico (as crônicas históricas). Elas relatavam desde o século XV fatos históricos (reais ou fictícios) ou acontecimentos cotidianos (sucessão cronológica), algumas com toque de humor.
Mais tarde, esse tipo de texto despretensioso foi se aproximando do público e conquistando os leitores mundo afora. Hoje, esse fato é confirmado pela enorme difusão das crônicas, sobretudo nos meios de comunicação.
Principais Caraterísticas
Narrativa curta
Linguagem simples e coloquial
Poucos personagens, se houver
Espaço reduzido
Acontecimentos cotidianos
Tipos de Crônica
Embora seja um texto que faz parte do gênero narrativo, (com enredo, foco narrativo, personagens, tempo e espaço) há diversos tipos de crônicas que exploram outros gêneros textuais.
Podemos destacar a crônica descritiva e a crônica dissertativa. Além delas, temos:
Crônica Jornalística: mais comum das crônicas da atualidade são as crônicas chamadas de “crônicas jornalísticas” produzidas para os meios de comunicação, onde utilizam temas da atualidade para fazerem reflexões. Aproxima-se da crônica dissertativa.
Crônica Histórica: marcada por relatar fatos ou acontecimentos históricos, com personagens, tempo e espaço definidos. Aproxima-se da crônica narrativa.
Crônica Humorística: Esse tipo de crônica apela para o humor como forma de entreter o público, ao mesmo tempo que utiliza da ironia e do humor como ferramenta essencial para criticar alguns aspectos seja da sociedade, política, cultura, economia, etc. Importante destacar que muitas crônicas podem ser formadas por dois ou mais tipos, por exemplo: uma crônica jornalística e humorística.
Segue abaixo um exemplo de crônica do escritor brasileiro “Machado de Assis”. Ela foi publicada em 22 de agosto de 1889, no jornal “Gazeta de Notícias” no Rio de Janeiro.
“Bons dias!
Quem nunca invejou, não sabe o que é padecer. Eu sou uma lástima. Não posso ver uma roupinha melhor em outra pessoa, que não sinta o dente da inveja morder-me as entranhas. É uma comoção tão ruim, tão triste, tão profunda, que dá vontade de matar. Não há remédio para esta doença. Eu procuro distrair-me nas ocasiões; como não posso falar, entro a contar os pingos de chuva, se chove, ou os basbaques que andam pela rua, se faz sol; mas não passo de algumas dezenas. O pensamento não me deixa ir avante. A roupinha melhor faz-me foscas, a cara do dono faz-me caretas…
Foi o que me aconteceu, depois da última vez que estive aqui. Há dias, pegando numa folha da manhã, li uma lista de candidaturas para deputados por Minas, com seus comentos e prognósticos. Chego a um dos distritos, não me lembra qual, nem o nome da pessoa, e que hei de ler? Que o candidato era apresentado pelos três partidos, liberal, conservador e republicano.
A primeira coisa que senti, foi uma vertigem. Depois, vi amarelo. Depois, não vi mais nada. As entranhas doíam-me, como se um facão as rasgasse, a boca tinha um sabor de fel, e nunca mais pude encarar as linhas da notícia. Rasguei afinal a folha, e perdi os dois vinténs; mas eu estava pronto a perder dois milhões, contando que aquilo fosse comigo.
Upa! que caso único. Todos os partidos armados uns contra os outros no resto do Império, naquele ponto uniam-se e depositavam sobre a cabeça de um homem os seus princípios. Não faltará quem ache tremenda a responsabilidade do eleito, — porque a eleição, em tais circunstâncias, é certa; cá para mim é exatamente o contrário. Dêem-me dessas responsabilidades, e verão se me saio delas sem demora, logo na discussão do voto de graças.
— Trazido a esta Câmara (diria eu) nos paveses de gregos e troianos, e não só dos gregos que amam o colérico Aquiles, filho de Peleu, como dos que estão com Agamenon, chefe dos chefes, posso exultar mais que nenhum outro, porque nenhum outro é, como eu, a unidade nacional. Vós representais os vários membros do corpo; eu sou o corpo inteiro, completo. Disforme, não; não monstro de Horácio, por quê? Vou dizê-lo.
E diria então que ser conservador era ser essencialmente liberal, e que no uso da liberdade, no seu desenvolvimento, nas suas mais amplas reformas, estava a melhor conservação. Vede uma floresta! (exclamaria, levantando os braços). Que potente liberdade! e que ordem segura! A natureza, liberal e pródiga na produção, é conservadora por excelência na harmonia em que aquela vertigem de troncos, folhas e cipós, em que aquela passarada estrídula, se unem para formar a floresta. Que exemplo às sociedades! Que lição aos partidos!
O mais difícil parece que era a união dos princípios monárquicos e dos princípios republicanos; puro engano. Eu diria: 1°, que jamais consentiria que nenhuma das duas formas de governo se sacrificasse por mim; eu é que era por ambas; 2°, que considerava tão necessária uma como outra, não dependendo tudo senão dos termos; assim podíamos ter na monarquia a república coroada, enquanto que a república podia ser a liberdade no trono, etc., etc.
Nem todos concordariam comigo; creio até que ninguém, ou concordariam todos, mas cada um com uma parte. Sim, o acordo pleno das opiniões só uma vez se deu abaixo do sol, há muitos anos, e foi na assembléia provincial do Rio de Janeiro. Orava um deputado, cujo nome absolutamente me esqueceu, como o de dois, um liberal, outro conservador, que virgulavam o discurso com apartes, — os mesmos apartes.
A questão era simples. O orador, que era novo, expunha as suas idéias políticas. Dizia que opinava por isso ou por aquilo. Um dos apartistas acudia: é liberal. Redargüia o outro: é conservador. Tinha o orador mais este e aquele propósito. É conservador, dizia o segundo; é liberal, teimava o primeiro. Em tais condições, prosseguia o novato, é meu intuito seguir este caminho. Redargüia o liberal: é liberal; e o conservador: é conservador. Durou este divertimento três quartos de colunas do Jornal do Comércio. Eu guardei um exemplar da folha para acudir às minhas melancolias, mas perdi-o numa das mudanças de casa.
Oh! não mudeis de casa! Mudai de roupa, mudai de fortuna, de amigos, de opinião, de criados, mudai de tudo, mas não mudeis de casa!
Hoje seria mais feliz ainda se estivesse contigo. É o teu aniversário e tu só, sem mim, aqui dispersado numa mata sem limites e onde o horizonte é escuro. Tu em casa, creio, e as tuas cartas por chegar ainda, a minha Santa Paola contigo embrulha-se no teu colo e o pai longe sem culpa nenhuma. A idade dela paira-me ainda nas saudades, deixei-ta numa barriga ainda por descobrir se estavas ou não grávida desse paraíso chamado Santa Paola, a nossa filha. Inventei-lhe esse nome para honrar o nosso amor santo e perfeito, sabes?, enviada numa dos milhares de cartas trocadas entre nós, das coisas que sei entenderes-me e eu correspondia sempre nesta masmorra sem dentes. Uma brisa lenta abraça-me enquanto viajo dentro de que alma só minha, uma saudade permanente entranha-se-me nos poros e leva-me por instantes com ela, percorro todos os sonhos e momentos onde recordações nunca se cansam de me instigar, pergunto-me no meio delas onde a vontade e respostas só eu para mim mesmo pensando-te sozinha e eu sem ti, eu aqui, numa zona de acção enorme e o batalhão a percorrer noite e dia esta batalha de verdes e secos nas altitudes de árvores que badalam a cada vento, ventos cruzados amor, ensinam-me a decifrar os códigos de morse e o soldado de rádio na mão indicando-nos por onde seguir em mais segurança. O jeep ilumina-nos o caminho que seguimos, as pedras e os buracos inesperados desconfortam-nos, a gente indiferente, o nosso rumo é seguramente uma paz a encontrar e um dia encontraremos, queiram ou não, dizemo-lo nós, soldados destacados para esta missão de paz, de lágrimas. Tantas vezes imagino tudo isto como se fosse um sonho, uma dispersão, uma viagem imaginária, tantas vezes um percurso simples onde se divaga a realidade, nada disto é verdade, nada é real!,
– um dia de cada vez!
era uma voz ausente vinda de sonhos acordado, aqui sem uma esplanada ao fresco beber um café, ler o jornal e saber das novidades, mas apenas as tuas cartas são a única coisa que leio a não ser também os comunicados internos do exército,
– paciência amor!
colado às histórias do dia a dia, soldados mais e mais ainda a minha dor, os recursos parcos e a minha cabeça longe, curo e saro e coso, pontos e mais pontos nas peles feridas pelas granadas e tiros deste desconhecido famoso nas memórias de todos os dias, um diário escreveria todas as minhas emoções, fantasias, pensamentos e histórias de embalar a ver se me convenço a não estar depressivo e nervoso e cansado, sim amor.
A chuva branda lá fora alimenta o arvoredo, da janela observo enquanto penso, a humidade espalhada pela vegetação à volta desta mísera tenda onde tracto e gritos a meu redor sempre, descanso segundos e nada me sacia, tudo é sede e sono pois, não durmo há dias,
– sinto-me cansado Deolinda!
para quando o fim desta comissão de lágrimas?, até quando suportar ordens que sem sentido nos obrigam a morrer de tédio, por quê nós nesta guerra que não nos pertence, sei lá, matar quem e porquê?, acredito que não consigo ser mais que um soldado de paz nesta estação fria do norte de Angola e onde luanda?, tudo fica longe e sóbrios navegam a sua felicidade inocente, a gente a vê-los descer em direcção ao mar se lá chegarem, imagino os quilómetros a percorrer e nós seguindo a sua trajectória, olhos vendados pelo sistema e a política dos nossos patrões a comandarem-nos, sim, na rádio Salazar enfatiza a nossa missão glorificando-nos pela missão ousada e morrer devagar nada o incomoda. Sou soldado à custa de quê?
… e um beijo como sempre acontecia quando nos mandavas ir para a cama dormir e eu repleto da minha tão calma traquinice…
Ainda ontem qual coisa qual quê, pensava eu ainda sentado naquele quintal que talvez não exista já, onde curavas e tratavas das rosas com uma mão repleta de água tão branquinha e limpa que se sentia até o sorriso delas, mas como é tão bonito poder recordar mesmo quando já é tão tarde e a noite chama-nos,
“vá, cama meninos, está na hora!”
e um beijo como sempre acontecia quando nos mandavas ir para a cama dormir e eu repleto da minha tão calma traquinice
“já vou mãe!, chiça!”
escrevia num canto qualquer da casa, da tua casa, da nossa casa, sei que te recordas dela tão quanto eu quando tão cedo saías para o trabalho.
Ainda ontem, esse amanhã na pele rosada de quem acorda sem se sentir cansado e ouvir-te era sempre tão bom, ainda te ouço e nunca serei surdo sempre que me falares com a tua trivial calma de nervos quando eu te enervava,
“estás a levar no focinho não tarda!”
as vozes das manas juntas decoravam bonecas de pano e cortavam-lhe os cabelos que inventavam com as linhas da tua costura, eu escrevia as minhas coisinhas, sabes como sempre gostei de escrever mãe, por isso sempre fui um traquina mimado.
Claro que é bom ter mãe e mesmo velhos já que importa, a sua mão ainda mesma e mesmo enrugada sabe tão bem como acariciar como quando acariciava no seu quintal da tal casa onde vivíamos e que não sei se ainda existe, acariciava as rosas que a vida nos oferecia. Uma sensação como esta talvez só se explica com abraços, a voz não atinge tal dimensão, sabemos, por isso mais abraços para que a eternidade continue entre nós mesmo depois de tudo escurecer quando a vida nos levar e fecharmos os olhos, mas o resto ficará sempre no cheiro dos lençóis onde me deitava a teu lado ouvindo-te respirar cansada. Hoje ainda os livros e as leitura e todos os sorrisos do mundo. Hoje é a soma de mais de tantos dias como todos os outros que o destino nos coloca à frente do rosto para tantos beijos e carícias e até mesmo quando te zangavas pouco me importei, o que sempre valeu mais é o que foi e ficou e tudo o que ainda está assim num zurzir tão doce, tu mãe.
A ArteModerna é o conjunto de expressões artísticas que surgiu na Europa no final do século XIX e perdurou até meados do século XX.
Ela abrange especialmente a arquitetura, a escultura, a literatura e a pintura.
No Brasil, essa corrente artística se consolidou com a Semana da Arte Moderna que ocorreu em 1922 no Teatro Municipal da cidade de São Paulo.
Considera-se que a arte moderna teve seu declínio com o final da Segunda Guerra Mundial, dando lugar a outras correntes artísticas da arte contemporânea ou pós-moderna.
A tela Operários (1933), de Tarsila do Amaral é um exemplo de obra modernista brasileira
Principais Características da Arte Moderna
A arte moderna tem como principal característica o rompimento com os padrões vigentes. Tal aspecto se dá principalmente por conta de seu momento histórico.
Aconteceu em um período de grandes conquistas tecnológicas (como o invento da fotografia e do cinema), além da Revolução Industrial, a Primeira Guerra Mundial e posteriormente a Segunda Guerra Mundial.
Assim, a arte também se transforma e passa a exercer cada vez mais um papel contestador, expressando de alguma forma as incertezas e dilemas da contemporaneidade.
Essa expressão artística transformou radicalmente o campo das artes ao quebrar com os formalismos, atingindo inclusive as estruturas gramaticais no campo literário.
Suas principais características são:
Rejeição ao academicismo
Informalidade
Liberdade de expressão
Pontuação relativa
Aproximação da linguagem popular e coloquial
Figuras deformadas e cenas sem lógica
Abandono da representação das formas de maneira realista
Com o objetivo de criar uma nova tendência artística, surgiram diversos movimentos na Europa, dentre os quais destacamos:
Expressionismo
Cena de rua em Berlim (1913-15), de Ernst Kirchner, expoente do expressionismo alemão
Esse movimento artístico está entre os primeiros representantes das vanguardas históricas e talvez, o primeiro a focar em aspectos subjetivos.
A corrente acontece em contraposição ao movimento impressionista, que se ocupava mais dos efeitos das luzes e cores.
Já no expressionismo, a principal característica é a representação dos sentimentos e das emoções, procurando expressar as angústias e o universo psicológico da sociedade no início do século XX.Veja também:Expressionismo
Fauvismo
A dança (1909), de Henri Matisse, é um belo exemplo de pintura fauvista
As principais características do movimento fauvista são o uso das cores puras e a simplificação das formas.
Os artistas criavam figuras apenas sugerindo as formas, sem representá-las de maneira realista e usavam as tintas sem misturá-las e criar degradês.
Essa corrente levou o nome de “fauvista” depois de uma exposição realizada em Paris, em 1905. Os pintores foram chamados pela crítica de fauves, que em português quer dizer “feras”. Tal denominação veio por conta do uso intenso e arbitrário das cores.Veja também:Fauvismo
Cubismo
À esquerda, Viaduto de Estaque (1928), de Georges Braque; à direita Les Demoiselles d’Avignon, de Pablo Picasso
O cubismo pode ser considerado o primeiro movimento artístico a se caracterizar pela incorporação do imaginário urbano industrial em suas obras.
Caracterizava-se, especialmente, pela geometrização das formas, modeladas basicamente por cubos e cilindros.
Os cubistas também procuravam retratar os objetos e pessoas em todos os seus ângulos, como se esses estivem “abertos”. Dessa forma, abandonam a noção de perspectiva e terceira dimensão, tão buscada pelos pintores do renascimento.Veja também:8 obras importantes do cubismo
Abstracionismo
Batalha (1910), de Kandinsky, é um marco da arte abstrata
Na arte abstrata, o que se destaca é a ausência de relação direta entre as formas retratadas com as formas realistas de um ser ou objeto.
Aqui, os artistas exploram as cores, formas, linhas, texturas, contrastes e outros elementos não pictóricos.
Pode-se considerar o artista russo Wassily Kandinsky um dos precursores da pintura moderna abstrata.Veja também:Abstracionismo
Futurismo
Carga dos Lanceiros (1915), de Umberto Boccioni
O futurismo nas artes plásticas foi um desdobramento de tendências na literatura do início do século XX e teve bastante influência do Manifesto Futurista (1909), criado pelo escritor Filippo Tommaso Marinetti.
Caracterizava-se pela valorização do industrialismo, da aceleração e da tecnologia, que superavam a velocidade do movimento natural. Tal movimento relaciona-se com a revolução industrial que estava em curso.Veja também:Futurismo
Surrealismo e Dadaísmo
Persistência da Memória (1931), de Salvador Dalí
Essas vanguardas surgiram como reação ao racionalismo e materialismo da sociedade ocidental e também como crítica à Primeira Guerra Mundial (1914-1918).
No caso do Dadaísmo, a escolha do nome foi feita através da abertura aleatória de um dicionário e a palavra que surgiu foi dadá, que em francês significa “cavalo” em linguagem infantil. A palavra pouco importava, pois em um mundo tomado pelo irracionalismo da guerra, a arte também “perdia o sentido”.
A partir dessa linha artística, surgiu o Surrealismo, idealizado pelo escritor André Breton (1896-1966). Essa forma de arte valorizava a fantasia, a loucura, o universo onírico e o impulso dos artistas, dando vazão às manifestações do inconsciente humano.Veja também:Pinturas famosas do mundo
Concretismo
Móbile Pavão (1941), do americano Alexander Calder
O Concretismo foi um movimento de vanguarda que visava a criação de uma nova linguagem por meio de figuras geométricas. Os artistas dessa corrente buscavam causar no público sensações de movimento ao olhar para as obras.
Assim, na literatura tinha como característica central a valorização do conteúdo visual e sonoro. Já nas artes plásticas, destacou-se pelo uso de formas abstratas.
Lisboa asizada nesta estrada iluminada, as vozes de bares e cantinas de recreio, a lembrança ainda nesta masmorra de cabeça cansada, subo a rua e paro diante de alguém que me olha de soslaio, pergunto-me,
– porque me olhas transeunte?
mas era eu mesmo diante de mim, um espelho embaciado a fazer-me perguntas de vazio nesta estiolada vontade de correr e fugir dos silêncios, não sei, sinceramente, do que fujo, talvez desta minha mesma maneira de me olhar enquanto me penso e nada, perdi quase tudo que levara quando jovem, enfiaram-me num navio e deportaram-me rumo ao desconhecido, e eramos mais que muitos, não sei se milhares, mas eramos efectivamente bastantes para um ruído tão calado como o da morte!
Bebi dores infinitas, sabes?, varri da memórias sonhos e desejos neste casebre de um navio enjaulado num mar de ausentes das suas próprias consciências, percorremos léguas numa dor sem explicação, a dor não se explica e apenas se sente e aspirina acalma, morre-se vivo numa ânsia sem significado.
O mar a ladear-nos e nós embarcados numa aventura sem história, soldados de todos os cantos, uns com vida outros mais perdidos e a gente no mesmo barco, a farda e os galões faziam a diferença mas onde a diferença?, vamos embutidos num mesmo barco para uma mesma missão, comissão de lágrimas, é o esse desconhecido a que nos dizem ser áfrica,
– o que é áfrica, meu capitão?
terra a defender dizia Salazar numa presunção simples.
A vida esfumaça-se neste tão vagaroso regresso, tudo parece uma invenção ou um sonho pisar de novo a minha cidade, voltar vivo e sentir o abraço dos meus, rever o tejo que desliza feliz em busca de mar, as lavras que rega e barcos que abarca, tudo me parece tão estranho sabes?, este regresso tem um cheiro quase vazio, repleto de memórias e cansaços, dores de cabeça ao fechar os olhos e ver camaradas sem pernas, sem braços, estiolados e decapitados, recordar o estrondo de minas e tiros de balas perdidas,
– entendes?
e quem me poderá julgar por ter sido um soldado cumprindo determinações da pátria?, só mesmo quem visitou estâncias varridas de perdidos e desaparecidos em combate, só quem viveu uma guerra difícil e em tanto inventada,
– acreditas?
este papel de figurante vadiando matas, correndo à frente de balas, ter de ser especial e mostrar coragem onde o medo reinava, lisboa cansada espera-me e a mesma terra lá, recordo a estrada de benfica e nada de ti, saudades,
– escreve-me Deolinda.
é tudo um desperdício, nada vale a pena e tudo é ao mesmo uma sangria de sonos onde que bebedeiras façam esquecer qualquer vontade mas matar quem?, tudo escuro adiante e nada a vista, não se vê nada neste escuro medonho, a cabeço esvoaça e pensa e a gente sente tudo à nossa volta, como qualquer estalo amedronta. Estou cansado de viver dormente acredita, de recordações em cada instante e viver nesta mesma terra onde ninguém, a não ser o sonho.
Sobre as águas da vida o silêncio dói, este peso constante sobre as costas e a terra a levar-nos, esta amargura azurrada numa alma que se queixa e quem nos ouve?, apenas a nossa própria consciência ali, a nosso lado, dentro da cabeça cansada e farta de ver nadas a flutuarem sobre os dias, o calendário riscado por cada dia vencido, tudo isto cansa, sabes?, farto de sonhar e nada acontece a não ser esperar como morrer um dia,
– conheces luanda?
o mar sussurra distante e brame devagar ondas de esperança, ver o horizonte onde que navio um para o regresso e quando esse regresso, esperamos a cada instante e quando termina esta guerra?, estou cansado pá, farto de lágrimas e lamúrios, saudades e vontade de fugir, ouvir dia após dia
– um dia deserto, meu capitão!
e de mim um consolo, nada mais para oferecer também eu precisava de algum conforto e virar-me para dentro de mim sonhando-me em benfica, entrar na pastelaria e comer com gosto um pastel de nata, beber um café quente e lisboa fria nesta altura do ano, inverno sabes?, chove copiosamente imagino, ouvir o barulho do estádio da luz para o derby de hoje, Benfica-Sporting, ver o Eusébio, o Coluna, etc., o clube do meu bairro.
ANTONIO NÓVOA “O educador que acaba de se formar não pode ficar com as piores turmas nem ser alocado nas unidades mais difíceis, sem acompanhamento”. Foto: Paulo Rascao
Manter-se atualizado sobre as novas metodologias de ensino e desenvolver práticas pedagógicas mais eficientes são alguns dos principais desafios da profissão de educador. Concluir o Magistério ou a licenciatura é apenas uma das etapas do longo processo de capacitação que não pode ser interrompido enquanto houver jovens querendo aprender. Quem defende isso é um dos maiores especialistas mundiais em formação de professores, o português Antonio Nóvoa.
Catedrático da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa e presidente da Associação Internacional de História da Educação, ele garante que o melhor lugar para aprender a lecionar melhor é a própria escola. “A produção de práticas educativas eficazes só surge de uma reflexão da experiência pessoal partilhada entre os colegas”, diz ele. Nesta entrevista, concedida por e-mail da capital portuguesa, Nóvoa afirma ainda que a bagagem teórica terá pouca utilidade, se você não fizer uma reflexão global sobre sua vida. Como aluno e como profissional.
A formação dos professores é apontada por muita gente como uma das principais responsáveis pelos problemas da educação. O senhor concorda com isso?
Embora tenha havido uma verdadeira revolução nesse campo nos últimos vinte anos, a formação ainda deixa muito a desejar. Existe uma certa incapacidade para colocar em prática concepções e modelos inovadores. As instituições ficam fechadas em si mesmas, ora por um academicismo excessivo ora por um empirismo tradicional. Ambos os desvios são criticáveis.
O difícil acesso às novidades é um dos empecilhos para incorporá-las à dinâmica da sala de aula? Ou as práticas de ensino mudam numa velocidade impossível de acompanhar?
O equilíbrio entre inovação e tradição é difícil. A mudança na maneira de ensinar tem de ser feita com consistência e baseada em práticas de várias gerações. Digo que nesta área nada se inventa, tudo se recria. O resgate das experiências pessoais e coletivas é a única forma de evitar a tentação das modas pedagógicas. Ao mesmo tempo, é preciso combater a mera reprodução de práticas de ensino, sem espírito crítico ou esforço de mudança. É preciso estar aberto às novidades e procurar diferentes métodos de trabalho, mas sempre partindo de uma análise individual e coletiva das práticas.
Como definir um bom programa de educação continuada?
O aprender contínuo é essencial em nossa profissão. Ele deve se concentrar em dois pilares: a própria pessoa do professor, como agente, e a escola, como lugar de crescimento profissional permanente. Sem perder de vista que estamos passando de uma lógica que separava os diferentes tempos de formação, privilegiando claramente a inicial, para outra que percebe esse desenvolvimento como um processo. Aliás, é assim que deve ser mesmo. A formação é um ciclo que abrange a experiência do docente como aluno (educação de base), como aluno-mestre (graduação), como estagiário (práticas de supervisão), como iniciante (nos primeiros anos da profissão) e como titular (formação continuada). Esses momentos só serão formadores se forem objeto de um esforço de reflexão permanente.
Todas as fases têm a mesma importância para o educador?
Se tivesse de escolher a mais decisiva, ficaria com a dos anos iniciais da profissão. Infelizmente, não se dá a devida atenção a esse período. É ele que define, positiva ou negativamente, grande parte da carreira. Para mim é inaceitável que uma pessoa que acabou de se formar fique encarregada das piores turmas, muitas vezes sem apoio nem acompanhamento. Quem está começando precisa, mais do que ninguém, de suporte metodológico, científico e profissional.
Ou seja, apenas ler sobre as novas teorias pedagógicas não é suficiente para se manter atualizado?
Há alguns anos surgiu o conceito de profissional reflexivo como uma forma de valorizar os saberes experimentais. Ele teve mais influência na pesquisa educacional do que nas atividades concretas de formação, mas foi importante na reorganização das práticas de ensino e dos modelos de supervisão dos estágios. No entanto, sempre me recordo das palavras do educador americano John Dewey: “Quando se diz que um professor tem dez anos de experiência, será que tem mesmo? Ou tem um ano de experiência repetido dez vezes?” Só uma reflexão sistemática e continuada é capaz de promover a dimensão formadora da prática.
Quais critérios o professor deve considerar ao buscar formas de se atualizar?
Como eu já disse, há dois pólos essenciais: o professor como agente e a escola como organização. A preocupação com a pessoa do professor é central na reflexão educacional e pedagógica. Sabemos que a formação depende do trabalho de cada um. Sabemos também que mais importante do que formar é formar-se; que todo o conhecimento é autoconhecimento e que toda a formação é autoformação. Por isso, a prática pedagógica inclui o indivíduo, com suas singularidades e afetos.
E a escola?
Ela precisa mudar institucionalmente. O desenvolvimento pessoal e profissional depende muito do contexto em que exercemos nossa atividade. Todo professor deve ver a escola não somente como o lugar onde ele ensina, mas onde aprende. A atualização e a produção de novas práticas de ensino só surgem de uma reflexão partilhada entre os colegas. Essa reflexão tem lugar na escola e nasce do esforço de encontrar respostas para problemas educativos. Tudo isso sem cair em meras afirmações retóricas. Nada vai acontecer se as condições materiais, salariais e de infra-estrutura não estiverem devidamente asseguradas. O debate sobre a formação é indissociável das políticas de melhoria das escolas e de definição de uma carreira docente digna e prestigiada.
De que forma o governo (no caso da rede pública) e a própria escola (no caso da particular) podem agir para melhorar a formação dos professores?
Eles devem criar as condições básicas, com infra-estrutura e incentivos à carreira. Só o profissional, no entanto, pode ser responsável por sua formação. Não acredito nos grandes planos das estruturas oficiais. Esse é um processo pessoal incompatível com planos gerais centralizadores. É no espaço concreto de cada escola, em torno de problemas pedagógicos ou educativos reais, que se desenvolve a verdadeira formação. Universidades e especialistas externos são importantes no plano teórico e metodológico. Mas todo esse conhecimento só terá eficácia se o professor conseguir inseri-lo em sua dinâmica pessoal e articulá-lo com seu processo de desenvolvimento. Não quero tirar a responsabilidade do governo, mas sua intervenção deve se resumir a garantir meios e condições.
Qual é a maneira mais eficiente de aprender a ensinar? Voltando a ser aluno? Observando? Praticando?
Tudo isso é importante, mas novas práticas de ensino só nascem com a recusa do individualismo. Historicamente, os docentes desenvolveram identidades isoladas. Falta uma dimensão de grupo, que rejeite o corporativismo e afirme a existência de um coletivo profissional. Refiro-me à participação nos planos de regulação do trabalho escolar, de pesquisa, de avaliação conjunta e de formação continuada, para permitir a partilha de tarefas e de responsabilidades. As equipes de trabalho são fundamentais para estimular o debate e a reflexão. É preciso ainda participar de movimentos pedagógicos que reúnam profissionais de origens diversas em torno de um mesmo programa de renovação do ensino.
Saber trabalhar em grupo, então, é mais uma competência que o professor deve ter?
Sim. São as equipes de trabalho que vão consolidar sistemas de ação coletiva no seio do professorado. Não se trata de adesões ou ações individuais, mas da construção de culturas de cooperação. O esforço de pensar a profissão em grupo implica a existência de espaços de partilha além das fronteiras escolares. Trata-se da participação em movimentos pedagógicos, da presença em dinâmicas mais amplas de reflexão e da intervenção no sistema de ensino. No passado, esses movimentos tiveram um papel insubstituível na afirmação social da classe. Hoje, são decisivos para a renovação.
Uma das recomendações da educação moderna é o trabalho interdisciplinar, por projetos. Como adquirir prática nessa maneira de ensinar?
O próprio trabalho em equipes pedagógicas pode ser um começo. Se insistirmos na produção de um saber profissional, emergente da prática e de uma reflexão sobre ela, teremos naturalmente uma produção conjunta. Para isso, a escola tem de organizar momentos interdisciplinares de trabalho que não caiam no vazio curricular, mas que promovam uma integração dos conteúdos de várias matérias.
Existe algum método na educação continuada que alie todos esses aspectos que o senhor preconiza?
Sim, vários programas integram essas preocupações de forma útil e criativa: seminários de observação mútua, espaços de prática reflexiva, laboratórios de análise coletiva das práticas e os dispositivos de supervisão dialógica, em que os supervisores são parceiros e interlocutores. Para além dos aspectos teóricos ou metodológicos, essas estratégias sublinham o conceito de deliberação, que por sua vez exige um espaço público de discussão. Nele, as práticas e as opiniões singulares adquirem visibilidade e são submetidas à opinião dos outros. Ao fazer isso, chama-se a atenção para o conjunto de decisões que os professores tomam a cada instante, no plano técnico e moral. Em outras palavras, a articulação entre teoria e prática só funciona se não houver divisão de tarefas e todos se sentirem responsáveis por facilitar a relação entre as aprendizagens teóricas e as vivências e observações práticas.
Paulo Freire escreveu que a formação é um fazer permanente que se refaz constantemente na ação. “Para se ser, tem que se estar sendo”, disse ele. O que o senhor acha dessa afirmação?
A formação é algo que pertence ao próprio sujeito e se inscreve num processo de ser (nossas vidas e experiências, nosso passado etc) e num processo de ir sendo (nossos projetos, nossa idéia de futuro). Paulo Freire explica-nos que ela nunca se dá por mera acumulação. É uma conquista feita com muitas ajudas: dos mestres, dos livros, das aulas, dos computadores. Mas depende sempre de um trabalho pessoal. Ninguém forma ninguém. Cada um forma-se a si próprio.
O estágio deve favorecer a mistura de prática com reflexão?
Sem dúvida. O potencial formador de cada um depende das ponderações feitas com os colegas, com quem está sendo observado e com o supervisor. Sem isso, a observação transforma-se em exercício mecânico, sem interesse. É essencial estudar os processos de organização do trabalho escolar, da gestão das turmas e da sala de aula, bem como as formas de utilização dos métodos de ensino e a capacidade de resposta às situações inesperadas. As competências para realizar essa análise são individuais e coletivas. A pertinência do estágio reside na compreensão da contribuição específica dos professores e na identificação da cultura profissional docente.
Como aproveitar melhor a prática de supervisão?
É essencial estimular a produção escrita e divulgá-la. Só a publicação revela o prestígio social da profissão e a formalização de um saber profissional docente. Sempre me espantei com o fato de haver tantos textos teóricos e metodológicos sobre ensino e Pedagogia e tão poucos descrevendo práticas concretas. Se queremos renovar a profissão e as estratégias de formação temos de dar visibilidade às práticas. Isso começa no período de estágio e continua por toda a vida.
Qual é, na sua opinião, o perfil ideal do professor do século XXI?
Não gosto de fazer futurologia. Acho esse terreno repleto de armadilhas e banalidades. A paixão pelo futuro freqüentemente significa déficit do presente. Por isso, falo de apenas um aspecto: neste século, devido à complexidade do fenômeno educativo, à diversidade das crianças que estudam e aos dilemas morais e culturais que seremos chamados a enfrentar, teremos de repensar o horizonte ético da profissão. Acredito que os próximos anos serão marcados pela instabilidade e pela incerteza. A atitude ética não depende só de cada um de nós, mas da possibilidade de uma partilha efetiva com os colegas. Precisamos reconhecer, com humildade, que há muitos dilemas para os quais as respostas do passado já não servem e as do presente ainda não existem. Para mim, ser professor no século XXI é reinventar um sentido para a escola, tanto do ponto de vista ético quanto cultural.
Efeitos colaterais como o eco dos silêncios. Tanto arrulhar logo pela manhã como grunhos no quintal dos astecas secos naquele deserto inverso de efeitos sem sombra, coisa que cansa e a gente tem de sentir o contrário porque sim, bajular a dor.
O ruído é como um plasma no máximo para se ouvirem cantorias da terra como gostam os velhos, isso é passado e passou garantidamente e mais importante ainda é vencer o futuro. Esse ardiloso arquitecto que nos emblema nas esquinas ou rotundas mais importantes da cidade e porquê?
Os asnos dormem ainda, as agonias num presente inconstante como quem dizer palavras de encantar como músicos do momento circulando palcos eventuais é verdade.
A realidade é diferente. É existencialista e viverá para eternidades.
Bajular é definhar devagar. Ter medo do sonho. Portanto, nem sequer se dorme, a menos que se sonhe acordado. Há sim quem consiga sonhar acordado, mas assim, sem se estar num profundo sono onde só more a noite e as verdades do sono, sonhe como se deve.
É que acredito mesmo nisso. A sério!
A dor é uma coisa do distante quando a pele seca faz sentir remoinhos e ventos na pele, é dor estar acordado para nem sequer se conseguir sonhar, mas pensar faz-nos dormir pouco, nem sempre dormir anima ou fortaleça, depende, basta dormir o suficiente dizem os especialistas. Eu durmo. E acordo. E vivo. E penso. Mas também sei o que é dor, a dor do poeta como dizia o poeta já ancorado nas lezírias dos génios, numa alcofa de veludo para que a sua sã consciência não durma dentro de ninguém. Viva imanente como num presente sempre constante, que consiga ou faça despertar hinos de liberdade nas estâncias mais retrógradas da razão, saiam dos mitos da caserna e reinventem novas razões plenas de consciência e sangue puro, sim, o sangue dos poetas andaluzes mortos na montanha por defenderem o som dos fogos que iluminavam noites de sábios iluminados, dispersassem forasteiros da consciência numa apologia sarcástica e que consigam então varrer dos baldios os vadios que nem coma conseguem, esses, os da razão pura, consciências limpas nas últimas resmas de papel de escravos descreverem os seus últimos dias.
E quantas vezes os maus feitios são completamente diferentes?
Sócrates era horrível, dizem, por apostar contra a ignorância.
E entretanto castigar para que se faça sentir o sabor da culpa, defendiam outros, e porque não perdoar para que nunca se repitam?
Porquê então bajular a dor?
Apenas para sobreviver, defendem tantos. Essas maiorias definham ainda hoje pelos jardins das alquimias, acredito, mas nunca me sentirei forjado por nada, sou paciência, mesmo quando durmo em qualquer lugar da vida.
Mirram-me lutuosas lágrimas de vazio, um furor incansável neste corpo de viagens perdido na sua própria essência, o luto premente a deslavar-se na bacia dos tempos esquecidos em anos por recordar, mirram-me as glórias da azia neste silêncio perdido e nem sequer eu lá, na astúcia varrida de pregos entalando portas e janelas e onde a vida? Mirram-me surfistas sobre os meus leitos derramados e eu cansado, sim, este hospício a que chamamos vida, esta rua mal vivida e nós nela como se por ventura valesse a pena ter sequer pena, recordar os sonhos torna-se enfadonho, são coisa que a gente de repente esquece e de nada ainda sequer pasmar. Ao longe a nuvem segue, mas que rumo? O frio das ostras no esqueleto do silêncio enquanto houver ainda sono e dormir compensa ao corpo esvaziar um cansaço que perdure. Esqueço os lutos e luto contra imagens que desvirtuem o meu sossego, preciso desta paz ainda que cansado viajar as ruas do meu bairro e nelas beber o meu sargaço num bar de ninguém.
A farda ainda por secar e o silêncio a dissecar-me de recordações perdidas em matos de ruídos e sonhos, ouço vozes neste corredor de tantas dores, sinto rebolarem sobre macas estas insónias infinitas e ainda nada, tudo é feito do mesmo e a gente aqui, uns sentados contra paredes de lona outros sobre coisa nenhuma.
Aqui tudo vale nada, aqui tudo é uma serpente e os batráquios a sucumbirem enquanto trepam árvores secas, sinto o calor destas tardes ainda que não perdidas vivendo-as sem sequer senti-las, tudo é enfadonho, sabes?
O peso insípido desta farda sobre o meu corpo, sinto-me despido e cansado, farto de ver a morte a viajar ali tão perto e nada, o zurzir à distância de balas de saudade com vontade de se juntarem a nós e descansarmos sobre os leitos da tarde. As cartas amarrotadas sobre a secretária e o soldado a bater-me à porta, a minha voz interrompida pelo balázio a rasar-me a alma, as macas espalhadas pela caserna e soldados estiolados, é difícil entender acredito que nada disto seja possível, as noites esticadas em todos os cantos e a insónia obrigatória ali presente,
– não viemos para dormir!
a minha memória é uma arma pacífica, recordo apenas saudades e nada mais, cansado disto e farto desta miséria de músicas buriladas na telefonia quase sem pilhas.
Estes sonos que não chegam, arrepia sentir este frio de cacimbo sem chuva, esta espera permanente e onde o fim?
Uma repetição quase todos os dias, quando o fim disto tudo?, destes dias moribundos carregados às costas de inocentes, a munição e o peso destas armas antigas, o rádio a fornecer-nos comunicação, o soldado de morse a explicar-nos,
– meu capitão, sigamos em frente!
qual frente qual quê!, nem turras nem gente, coisa nenhuma, o breu sacode-nos o desejo e a gente sem alma, perdemo-la numa esquina qualquer nestas rotas sem destino buscando o vizinho escondido nas trincheiras. Aqui a solidão é medonha, tudo é nada de repente, fecho-me no quarto da tenda e exorcizo devagar como viajar para dentro de mim pensando em quem fica lá fora, os rumores e gritos, gemidos e ais, tudo incomoda a não sair do meu corpo e alojar-me numa bala perdida ao amanhecer.
Cartas relidas na ausência de novas notícias, pensamentos vagueiam este frio esquecido nas matas, esta raiva sem sentido nenhum e tropa de farda amorfa a pesar-me o silêncio, viajo para dentro enquanto as releio e esqueço enquanto me sentir a vivenciá-las como se fossem um presente eterno na almofada de pedra desta caserna improvisada.
Vozes a despertarem-me e nem sequer durmo, esta insónia permanente onde que combates procuramos nada, ninguém a não ser em busca da nossa felicidade que se esconde por detrás das falésias, o mar ronca saudades e luanda longe, a viagem breve nunca acontece e a gente implora,
– venha o diabo e nos leve!
o grito do soldado no jeep avariado sobre que giestas.
Epicuro (341 a.C.-271 a.C.) foi um filósofo grego, que viveu no período denominado Helenístico. Considerado o “Profeta do Prazer” e o “Apóstolo da Amizade”, Epicuro foi o primeiro a sugerir o que viria a ser a teoria darwiniana,ao apresentar um esboço, extraordinariamente moderno, da evolução, 2.300 anos anos antes de Darwin.
Biografia
Estátua de Epicuro
Nasceu na ilha de Samos, Grécia, em 341 a.C. Estudou filosofia, foi aluno de Pânfilo, seguidor das ideias de Platão, das quais Epicuro rejeitava. Mudou-se para Téos, onde tece os primeiros contatos com a teoria atômica, pregada por Nausífanes, discípulo de Demócrito. Embora aceitasse o materialismo dos atomistas, rejeitava o mecanismo absoluto defendido por eles.
Epicuro utilizou-se da Teoria Atômica de Demócrito para justificar que o átomo era o elemento formador de todas as coisas e poderia formar outros corpos, mesmo com a morte física. Reformulou a teoria nos pontos que discordava e ensinava que os átomos eram diminutos e indivisíveis, e que a mudança e o desenvolvimento resultam da combinação ou da separação dessas partículas. O principal intuito das modificações especiais da teoria atômica era tornar possível a crença na liberdade humana.
Se os átomos só fossem capazes de movimentos mecânicos, o homem, feito de átomo, ficaria reduzido a situação de um autômato e seria o fatalismo à lei do universo. Epicuro com esse repúdio da interpretação mecanicista da vida, estava provavelmente mais próximo do espírito helênico do que Demócrito ou o Estoicismo.Veja também:Filosofia Grega
Principais Ideias
Epicuro deu origem a filosofia epicurista, baseada no prazer da amizade. Epicuro não acreditava na imortalidade. A vida, dizia ele, era uma tragédia. Não somos filhos de Deus, vivemos e morremos por acaso e depois da morte não há outra vida.
Dizia que era um dever do homem tornar a vida presente a melhor possível. E a melhor espécie de vida era a vida de prazer – não de prazer turbulento, mas de prazer refinado. Cultivar a felicidade da vida simples. Aprender a gozar do pouco que tendes e evitar os excitamentos de ambicionar mais.
Cultivar um tranquilo senso de humor, aprender a sorrir diante das loucas ambições dos amigos. Aprender também a auxiliá-los nas suas necessidades. Desenvolver o talento de adquirir amigos. Não podeis ser mais felizes do que partilhar vossa felicidade com vossos amigos. De todos os prazeres do mundo, o maior e o mais duradouro é a amizade.
Epicuro pregou a doutrina do egoísmo, um novo modo de egoísmo: era um egoísmo esclarecido, baseado na regra de dar e tomar. Devemos dar prazer afim de receber prazer. Usado em termos negativos, não deveis infligir qualquer injúria. Vivei e deixai viver. Em outras palavras, o mais sensível meio de ser egoísta é não ser egoísta. Ser vosso melhor amigo, sendo um bom amigo para os outros.
Epicuro fazia oposição à Academia de Platão e ao Liceu de Aristóteles, buscando uma filosofia mais prática que correspondesse a seu tempo. Fundou sua própria escola, chamada “Jardim”, onde pregava um bom relacionamento entre mestres e discípulos.Veja também:EpicurismoCompartilharEnviarEmailEste artigo foi útil?SimNão