Um pacto entre mim e o silêncio. Calei-me de vez. Brincarei apenas nestas ravinas de saudade e medo, nestes eucaliptos da verdade num cheiro de alecrim se der e pronto, tudo luzirá como o escuro. Neste bar obuses como abutres. Que raio este ruído que escorre paredes abaixo como pinceladas de nervos. Ouvem-se tiros deContinuar lendo “As cores da rutura”
Arquivos do autor:Burity
Meritocracia
Juliana BezerraProfessora de História Meritocracia significa que todo indivíduo é capaz de prosperar somente com suas capacidades sem precisar da ajuda da sociedade, Estado ou família. O que é? Após a Revolução Francesa, com a ascensão de Napoleão Bonaparte, o novo dirigente da França decretou que a origem de nascimento não contaria mais para o ingressoContinuar lendo “Meritocracia”
Sobre as águas da vida o silêncio dói, cap. XXVI
XXVI Às vezes, esta voz canta para si mesma os rugidos da tarde. Uma vontade ilimitada espraiada nos horizontes alojados entre quimeras disfarçadas de açudes, um longo corredor onde os sons parecem ventos levados pela ausência de que luz a encanta-los, sim, talvez a metamorfose de cada dia ali passado sentado na berma de queContinuar lendo “Sobre as águas da vida o silêncio dói, cap. XXVI”
Bebi da sua arte
Deitei-me ontem aqui à beira de um rio baldio sonhando já. Desvendei nele a coragem de viagens infinitas, o percurso sinuoso das suas artes embrenhadas de alma e sangue frio. Devo ter sonhado o rio a distanciar-se, a perder-se nas maravilhas que a natureza oferece e eu encostado a uma pedra de verdades. Não bebiContinuar lendo “Bebi da sua arte”
Jean-Jacques Rousseau
Jean Jacques Rousseau (1712-1778) foi um destacado filósofo social e escritor suíço. O mais radical e popular dos filósofos que participaram do movimento intelectual do século XVIII – o Iluminismo. Sua obra principal, “O Contrato Social“, serviu de verdadeiro catecismo para a Revolução Francesa e exerceu grande influência no chamado liberalismo político. Defensor ardoroso dos princípiosContinuar lendo “Jean-Jacques Rousseau”
Sobre as águas da vida o silêncio dói, cap. XXV
XXV Com mil tempos de tédio na tenda de campanha ou na batalha, vai o soldado. Mil tempos a caminhar descansado neste campo verde e seco onde rios e nada de mar, mil tempos a sorrir desgostos e sem apóstrofos delegar a minha vida à saudade, mil tempos a definhar silêncios neste barulho infernal deContinuar lendo “Sobre as águas da vida o silêncio dói, cap. XXV”
Algo longe é tempo
Havia sempre à porta da nossa casa uma sentinela de espada e foice que martelava como pica miolos o suave cheiro que a órbita cega consumia. Eram se calhar tempos de que nada me recordo a não ser inventar como uma ingénua criança aqueles sorrisos nada matreiros, era de facto verdade e é, da formaContinuar lendo “Algo longe é tempo”
Auguste Comte
Auguste Comte foi um dos mais importantes filósofos e sociólogos franceses. Atribui-se a ele a criação da disciplina Sociologia, bem como a corrente filosófica, política e científica conhecida como Positivismo. Sua contribuição teórica ainda é importante, com o conceito político da “Lei dos Três Estados”. Biografia Busto de Auguste Comte em Paris, França Isidore AugusteContinuar lendo “Auguste Comte”
Sobre as águas da vida o silêncio dói, cap. XXIV
XXIV Os anos viajam e connosco sombras e desejos, há tanta felicidade e enquanto presentes comemos as relíquias da vida, pois, sabemos nós, todos nós, que a vida é um ciclo tantas vezes curto ou longo, nem sempre é mais curto, depende muito da intensidade a que nos entregamos à vida, ao ciclo e percursoContinuar lendo “Sobre as águas da vida o silêncio dói, cap. XXIV”
Porquê dormir tanto?
Dormir cansa e desfalece! A vida fustiga e a gente sente a cada passo o cheiro vernáculo da existência. Precisamos do breu e do amanhecer de olhos abertos em direcção ao infinito vislumbrando o finito das finitudes da realidade. A vida cansa e faz-nos desfalecer, precisamos vê-la nem que seja pela janela ou pelos osContinuar lendo “Porquê dormir tanto?”