Educação

Quem procura o desenvolvimento das competências científicas e pedagógicas do docente, assumindo maior relevância quando os alunos e escola beneficiam do seu impacto e efeitos. A organização escolar como sistema regulador pressupõe um ambiente formativo, que possibilite a sua constante adaptação às necessidades que continuamente se fazem sentir. Pressupõe-se, assim, a importância que neste quadro organizacional assumirá a supervisão pedagógica, repensada perante uma conceção abrangente e coletiva, numa prática dinamizadora de cultura colaborativa de trabalho entre pares, de mediação entre profissionais, de reflexão e investigação sobre as boas práticas de ensino, considerando as suas dimensões pedagógica, ética e política, tendo como fim o desenvolvimento pessoal e profissional dos professores, na melhoria da escola e das aprendizagens dos alunos. No entanto, esta conceção assente nas interações, reflexões sobre a prática docente e partilha de experiências, não está a ser muito bem aceite pelos docentes. Desde logo pela relação que normalmente é estabelecida entre supervisão e a avaliação de professores, estando esta mais orientada para o juízo de valor das competências profissionais e conotada com a avaliação que tende para uma classificação. Por outro lado, muitos entendem que não possuem as competências necessárias para desempenharem a função de supervisor/observador. Mas, também, pelo facto de os professores preferirem isoladamente desenvolver as suas atividades em contexto de sala de aula, protegidos e longe de olhares críticos. Efetivamente, a supervisão pedagógica entre pares em contexto de sala de aula adquire importância como uma prática formativa reflexiva e de investigação entre docentes, que pode servir de regulação da aprendizagem e de estímulo ao desenvolvimento profissional. Neste panorama, a supervisão clínica colaborativa assume-se como uma estratégia para formação e aperfeiçoamento dos professores, sendo vista como um processo de auto-diagnóstico, auto-formação, auto-supervisão e heteroavaliação centrado no desenvolvimento profissional através de ciclos sistemáticos de planificação, observação de aula e análise da ação do professor, com o intuito de lhe provocar modificações significativas.

Perante um cenário paritário e colegial, a supervisão pedagógica tem que ser encarada como um “veículo” transformador, ideologicamente assente em pressupostos colaborativos entre os pares, baseando-se na peer (super) vision como um processo de reflexão conjunta que procura o desenvolvimento das competências científicas e pedagógicas do docente, assumindo maior relevância quando os alunos e escola beneficiam do seu impacto e efeitos.

A implementação da supervisão pedagógica entre pares no seio da comunidade docente deve ser considerada com um instrumento que pode fomentar culturas colaborativas no seio da comunidade, mas também, de formação contínua contextualizada, inovação, mudança e uma prática ao serviço da escola, visando o aperfeiçoamento dos saberes, das téc- nicas e das atitudes necessárias ao desempenho, potenciando o desenvolvimento profissional e organizacional das escolas.

Prof. Dr. Luiz Cláudio de Almeida Queiroga – Licenciado e Mestre em Educação Física, Mestre em Supervisão Pedagó- gica e Doutorado em Ciências da Educação, na especialidade em Formação de Professores.

Publicado por Burity

Sou Professor Universitário, Doutorado em Filosofia das Ciências Políticas, Pós-Doutorado em Educação e Psicologia, Escritor, Investigador Científico.

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